sábado, 2 de abril de 2011

: “Inter-relações entre a anatomia vegetal e a produção vegetal”

     A anatomia vegetal tem relevante destaque na Agronomia, principalmente na Fitotecnia, afinal é o corpo do vegetal o seu principal recurso. As práticas agriculturáveis exigem uma atenção especial na relação dos diferentes vegetais com os diversos manejos pois, o corpo do vegetal está dinamicamente relacionado com essas práticas.
     A expressão da organização estrutural dos vegetais na Fitotecnia é ampla e distribuída nas várias áreas de estudo da mesma. Há supervalorização das práticas monoculturáveis onde ocorrem excessiva reprodução de determinados microrganismos e animais herbívoros que causam danos às culturas. Nas monoculturas não há diversidade vegetal,conseqüentemente, não há diversidade animal. É comum o uso de agrotóxicos para resolver esses problemas, contudo as pesquisas sobre resistência estrutural vêm justamente revelar aspectos muito interessantes que colaboram com a possibilidade de minimizar o uso de agrotóxicos, além de expressarem a preocupação para o entendimento do dinamismo do vegetal frente às condições impostas pelos manejos.
     Os conhecimentos de Anatomia Vegetal destacam-se quando se trata da propagação vegetativa, pois a identificação dos aspectos estruturais é importante para o sucesso da propagação, a qual depende da regeneração de tecidos vegetais. A escolha da amostra utilizada para a realização da propagação depende do conhecimento das potencialidades dos tecidos vegetais. Além disso, as substâncias reguladoras de crescimento utilizadas nessas práticas interferem na formação das células e tecidos.
     Outra relação importante com a organização estrutural está na nutrição do vegetal. Evidentemente, a nutrição mineral contribui com a composição da organização estrutural, quando a planta recebe ou deixa de receber macro e micronutrientes evidenciam-se alterações em sua estrutura. A nutrição mineral, por sua vez, pode ter efeito secundário sobre a resistência de plantas ao ataque de pragas e doenças, condições do solo, da água, da luz, da temperatura, exercem influência sobre as características estruturais do vegetal.
     Os estudos na Produção Vegetal, na maioria, são relacionados às grandes culturas (monoculturas). A visão a respeito dos organismos biológicos é diferente da visão ecológica, muitos seres vivos são considerados como causadores de problemas e não como um conjunto de organismos que atuam em interdependência.
     Estruturas de revestimento do corpo vegetal na relação com a Fitotecnia - As relações entre os tecidos de revestimento e a produção vegetal expressam-se principalmente na fitopatologia, na forragicultura e na propagação vegetativa. Substâncias geralmente são depositadas nas estruturas de revestimento dos vegetais, tanto na superfície, quanto no interior das células de revestimento, principalmente das folhas. Além de muitas substâncias constituírem-se em matéria-prima (resinas, ceras, celulose, cortiça, dentre outras) para diversos usos, elas também expressam peculiaridades nas diversas áreas da Fitotecnia.
     Algumas substâncias presentes ou depositadas na epiderme das folhas e a interrelação  com a produção vegetal são:
     -Suberina: Pré-existente ou depositada pós-traumatismo. Comumente depositada em ferimentos de modo geral, a camada de células suberizadas é denominada periderme de cicatrização.
     -Sílica:  Pré-existente ou depositada pós-ferimentos. Considerada como resistência aos patógenos.
     -Gomas, resinas, látex, mucilagem : Comumente depositada em ferimentos, mas também são sintetizadas naturalmente emalgumas plantas. São consideradas como resistência aos patógenos.
     Microrganismos considerados patógenos podem depender ou não de pressão mecânica para entrar na planta hospedeira. Além disso, a cutícula possui regiões descontínuas como em células secretoras de tricomas glandulares, em papilas de certas flores e até mesmo poros, os estômatos são estruturas importantes para a Produção Vegetal, pois representam a porta de entrada e escoamento dos gases para a fotossíntese,processo primordial relacionado à produtividade vegetal, além de serem também porta de entrada para microrganismos. As diferentes espécies de plantas variam quanto ao número, freqüência, tamanho, distribuição, forma e a mobilidade dos estômatos, o que conseqüentemente interfere na capacidade fotossintética destas, o comportamento dos estômatos tem relação direta com as condições abióticas.
     Os tricomas, tal como a cutícula e estômatos, também se manifestam de diferentes maneiras de acordo com as condições oferecidas às planta.
     Estruturas componentes da organização estrutural interna (células, tecidos e substâncias) na relação com a Fitotecnia - As relações entre os tecidos comumente lignificados e a deposição interna de lignina com a produção vegetal expressam-se principalmente nas áreas da Fitopatologia e da Forragicultura.
     A lignina é considerada substância resistente aos patógenos, pois dificulta sua colonização. Porém, isso não inviabiliza o acesso dos patógenos ao interior das plantas. Assim, as plantas tentam se defender dos invasores com a formação de novas barreiras estruturais, como a deposição de lignina e outras substâncias, já para a Forragicultura a
lignina é considerada um empecilho à degradação pelos microrganismos que habitam o rúmen.
        Tecidos parenquimáticos podem exibir resistência aos patógenos, mesmo sem apresentar lignificação. A resistência nesse caso é atribuída à organização e às características das células. Diferentes tratos culturais utilizados na produção vegetal provocam alterações na organização estrutural dos vegetais, incluindo os parênquimas.
     Através da análise dos trabalhos pode-se identificar que o comportamento dos vegetais não permite uma padronização devido à dinamicidade e complexidade dos diferentes seres vivos, dos variados ambientes e de suas inter-relações, a complexidade sistêmica aumenta, por um lado, com o aumento do número e da diversidade dos elementos e, por outro lado, com o caráter cada vez mais flexível, cada vez mais complicado, cada vez menos determinista das inter-relações.
     Uma planta pode manifestar sua resistência sob determinadas condições e manter ou não esse caráter em outras condições, a grande proporção de lignina, componente estrutural das paredes celulares, é limitante no sentido da qualidade da forragem para a produção animal, pois não é uma substância degradada pelos microrganismos ruminais, já a maior proporção de lignina é barreira física contra microrganismos considerados patógenos. A lignificação proporciona aumento na resistência das paredes à ação de enzimas degradadoras da mesma, na difusão de toxinas do patógeno em direção ao hospedeiro e de nutrientes da planta hospedeira em direção ao patógeno e restrição à colonização por patógenos.
     Quanto mais espessa a cutícula e mais compacto o parênquima clorofiliano, mais resistente é a planta aos patógenos. Porém, no caso de ser uma planta forrageira essa condição pode reduzir a digestibilidade ruminal.
     A condição estrutural do vegetal muitas vezes é uma razão indireta de dada situação o que inviabiliza também análises reducionistas e padronizadas.


 Bernardo Chaves Machado
Graduante 7° Periodo em Engª Agronômica
            UEMG-ISAP

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